

Eu sou tão difícil quanto as pessoas que vivem ao meu redor, na boa, sou complicada demais para lidar, não é fácil me desvendar, sou daqueles quebra-cabeças filhos da puta que confundem a mente, e te deixam com um buraco na cabeça de tanto pensar. Ninguém conseguiu terminar de me montar ainda, deixaram pela metade, olharam e simplesmente fizeram cara feia. Sou aquela revista que olham, folheiam e não compram e quando compram é só por uma matéria interessante. Não tenho nenhum quesito interessante, sou tão comum que chega a enjoar olhar-me no espelho todo santo dia. Quando me olho no espelho, faço uma cara de nojo, e na maioria das vezes nem me importo em ajeitar a armadura, acho que penso que o conteúdo vale mais. Mas se for pensar pela cabeça alheia, estou literalmente fudida, porque eles olham sempre a embalagem primeiro, o que vem dentro é depois, e olhe lá se o interior contar de algo. O que vale mesmo nessa vida é o corpão e aquele tanquinho definido, mas o coração é só um músculo inútil que faz parte do estudo do corpo humano. Rim e pulmão não é lá muito bonito, piadinha escrota essa. É incrivelmente hilário ver as pessoas falando dessa forma, poxa vida! Vocês não vivem bem apenas com o corpo definido, seu tal coração faz alguma coisa, ele te faz viver e o restante faz sua parte em seu corpo. Essa coisa de achar que o que vale é um quilo de maquiagem na cara, sendo que água tira. Não vale ir na academia, ficar com tudo definido e ter uma azeitona no cérebro, sinceramente. Essa tal mania de achar que perfeição existe, por favor, parem com isso, cansa até o pouco da beleza que tenho. Está faltando é um pouco de caráter nos seres humanos, e sim, estou generalizando, até eu faço parte do pacote, sou tão ingrata quanto muitos de vocês, sou um erro na humanidade, assim como vocês. E sou tão inútil, a ponto de reclamar e não dar nenhum passo para tentar mudar, assim como vocês. E é por isso que o mundo não vai para frente. — Raíssa Pádua, reciproco-pensamento

E de uma hora pra outra, aquela velha tristeza volta e muda tudo em mim. Em um simples piscar de olhos, um motivo para que minhas lágrimas comecem a cair, sem tempo de acabar. O mais engraçado de tudo é que essa maldita tristeza só insiste em me atacar quando não posso ouvir aquela voz que poderia trazer de volta o meu sorriso. A voz daquele que foi impedido de saber do meu sofrimento e me consolar. E assim eu penso: “Que droga! Eu queria ser mais forte que tudo isso”. É, eu queria saber como acabar, de uma vez por todas, com essa melancolia que tanto estraga o meu dia. Mas aí eu lembro que não tenho super-poderes, que sou apenas uma simples mortal que não consegue se acidentar e se recuperar, sem antes ficar com os olhos vermelhos, repletos de lágrimas e quase sem voz, após tanto gritar de dor. E como se não bastasse, escuto as vozes que dizem: “Deixe de ser boba, vai ficar chorando por coisinhas atoa?”, “Cale-se, garota! Quanto mais você chorar, mais dor você vai sentir”. Vozes de quem acha fácil guardar tudo num baú e jogar a chave fora, de quem pensa que é fácil fingir que nada aconteceu. Vozes que gostam de dizer tudo, mas no fundo, não entendem nada. Não ajudam em nada. E assim, eu vou seguindo meu caminho, me abrindo para mim mesma, para Deus, para as paredes. Por incrível que pareça, me sinto em uma roda de amigos. Amigos que, em vários momentos, conseguem me entender melhor do que todos esses humanos ao meu redor. - Mariana (c-omprometida)

Eu sou tão difícil quanto as pessoas que vivem ao meu redor, na boa, sou complicada demais para lidar, não é fácil me desvendar, sou daqueles quebra-cabeças filhos da puta que confundem a mente, e te deixam com um buraco na cabeça de tanto pensar. Ninguém conseguiu terminar de me montar ainda, deixaram pela metade, olharam e simplesmente fizeram cara feia. Sou aquela revista que olham, folheiam e não compram e quando compram é só por uma matéria interessante. Não tenho nenhum quesito interessante, sou tão comum que chega a enjoar olhar-me no espelho todo santo dia. Quando me olho no espelho, faço uma cara de nojo, e na maioria das vezes nem me importo em ajeitar a armadura, acho que penso que o conteúdo vale mais. Mas se for pensar pela cabeça alheia, estou literalmente fudida, porque eles olham sempre a embalagem primeiro, o que vem dentro é depois, e olhe lá se o interior contar de algo. O que vale mesmo nessa vida é o corpão e aquele tanquinho definido, mas o coração é só um músculo inútil que faz parte do estudo do corpo humano. Rim e pulmão não é lá muito bonito, piadinha escrota essa. É incrivelmente hilário ver as pessoas falando dessa forma, poxa vida! Vocês não vivem bem apenas com o corpo definido, seu tal coração faz alguma coisa, ele te faz viver e o restante faz sua parte em seu corpo. Essa coisa de achar que o que vale é um quilo de maquiagem na cara, sendo que água tira. Não vale ir na academia, ficar com tudo definido e ter uma azeitona no cérebro, sinceramente. Essa tal mania de achar que perfeição existe, por favor, parem com isso, cansa até o pouco da beleza que tenho. Está faltando é um pouco de caráter nos seres humanos, e sim, estou generalizando, até eu faço parte do pacote, sou tão ingrata quanto muitos de vocês, sou um erro na humanidade, assim como vocês. E sou tão inútil, a ponto de reclamar e não dar nenhum passo para tentar mudar, assim como vocês. E é por isso que o mundo não vai para frente. — Raíssa Pádua, reciproco-pensamento

“Tenho uma carência brutal, que machuca e arde no peito quando bate. Parte dela foi suprida por alguns anos, antes do meu irmão nascer. Daí então, os mimos e apertões de bochecha foram transferidos para ele. Substituição que de início me recusei a entender, mas com o tempo aceitei, contra a vontade. Grande parte da ironia na minha vida é que não vivo cercada de pessoas que consigam abastecer a quantidade absurda de afeto que preciso. Nunca obtive a assistência ou disponibilidade de alguém para me oferecer colos, beijinhos na testa e carinhos leves, daqueles que trazem a inconsciência até nós. E se obtive, provavelmente, deixei escapar com a exigência latente das minhas vontades. Tenho necessidades urgentes e intensas que superam o entendimento das pessoas e geralmente sinto-as diluírem antes de se realizarem. Já tentei fazer do desapego uma solução, mas acabou tornando-se mais um dos meus milhares de problemas sem solução. Preciso que se apeguem mais á mim, do que eu aos demais. Mas talvez seja complicado para eles. Assim como viver vazia é difícil pra mim e tão fácil para outros. Desigualdade. O mundo está cheio disso e eu cheia de ter consciência desse fato. Gente cheia de afeto esbanjando grosseria, enquanto, eu, humildemente, quase imploro por um pouquinho. Gosto de me sentir amada, importante e acolhida também. Quem não gosta? Poucas palavras, abraços apertados, sorrisos sinceros, beijos carinhosos. É disso que tenho fome. Solidão já não me alimenta mais, não cura as cicatrizes ardentes nem disfarça os vazios cobertos de gelo. Ser abandonada num cantinho empoeirado causa um estrago extensivo. E confesso, não tenho me recuperado com tanta facilidade. Ainda preciso do calor humano, que seja capaz de derreter minha aparente paralisação e palavras que devolvam um leve rubor ás minhas bochechas pálidas. De qualquer tipo de contribuição generosa que sirva para me fartar e me manter completa. Porque ainda mendigo qualquer ajuda que sirva para aplacar essa minha carência.” — Gabriela L. (T-rapeze)